Desde que o mundo existe, muitos de nós dedicam-se
a uma tarefa básica e complexa: cuidar e educar crianças. Ao longo do tempo, a cultura influencia e a forma deste fazer muda. Além dos pais biológicos ou adotivos, esta prática também envolve os substitutos: avós, tios, cuidadores, padrinhos, madrinhas, educadores e profissionais da saúde. Todos buscando dar conta do investimento implícito no cuidar, que envolve disponibilidade (tempo real), responsabilidade e econômica e afetiva.
Tenho estudado nos últimos anos, com mais
profundidade, sobre constituição psíquica, vínculos afetivos e relacionamento
familiar; o que observo é que algo afeta e muito a personalidade de um
indivíduo: os esteriotipos. Claro, outros aspetos são importantíssimos, mas
chamo a atenção para este porque é como uma cola das nossas paredes internas, desde
antes
do nascimento, pois criamos expectativas em relação à concepção,
gravidez, relacionamentos com outras pessoas e fases de vida.
Assim, o bebê ainda está na barriga, mas a partir
do momento em que aquela máquina chama ultrassom informa o gênero, inicia-se,
para muitos pais, o processo de “determinação” das características da criança:
cor do quarto, roupas e brinquedos. Porém, de forma geral, há certos
comportamentos que independem das cores previamente “escolhidas”: as pesquisas
intensas no campo da primeira infância, apresentam que bebês do sexo masculino
são mais agressivos e ativos fisicamente (claro, com muitas exceções à regra)
por uma relativa abundância de testosterona no útero materno.
Outra informação importante, é que, muito além do
gênero, as crianças são fortemente atraídas por rostos, por óbvias razões de
sobrevivência, assim, bonecas são brinquedos muito convidativos para todos os
pequenos. Além disso, diversificar atividades é importante para a formação de
muitos circuitos psíquicos e habilidades futuras: esportes, carrinhos e jogos
de montar, estimulam as habilidades físicas e espaciais, enquanto bonecas,
histórias e fantasias, desenvolvem as capacidades verbais e de coordenação
motora.
Para a maioria das diferenças, o ambiente, contexto
em que a criança está inserida, é a chama que alimenta os esteriotipos. Assim,
compreendê-las, pode oferecer aos adultos, ideias para contribuir positivamente
com o desenvolvimento e talentos das crianças, independente de gênero ou cor da
roupinha da maternidade.

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