Atualmente, o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH) na infância tem sido bastante debatido nas escolas, na mídia, em eventos científicos e até em rodas de conversas de pais que se preocupam com o futuro de seus filhos. Entre as características que mais alertam a sociedade estão a agitação, a falta de atenção e a desobediência.
Concerta é um dos medicamentos utilizados para tratar esses sintomas. Acredito que a escolha por tal nome não foi ao acaso, já que este muito se assemelha ao verbo “consertar”. De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, consertar significa: corrigir falhas ou defeitos, reparar, fazer com que volte à condição original, retomar a ordem. Assim, podemos pensar que a medicação nomeada como Concerta tem, dependendo de seu uso, a função de corrigir os comportamentos defeituosos de crianças que incomodam seus pais e a sociedade com sua agitação e condutas que não se encaixam no padrão ideal. Cabe ressaltar que a intervenção medicamentosa é de fato necessária em alguns casos, mas é preciso ter cautela tanto no diagnóstico do TDAH como em sua medicalização, sob o risco de patologizar a infância e aquilo que não se encaixa nos moldes esperados pela sociedade, pela família e pela escola.
Nesse sentido, é importante estar atento aos sinais que podem estar apontando para algum tipo de sofrimento da criança, mas também é imprescindível escutá-la para que o que concerne à sua subjetividade não se perca em meio ao discurso da ciência moderna que muitas vezes reduz o sofrimento a aspectos biológicos. Portanto, deixar a criança falar sobre suas questões e transmitir seu saber sobre suas experiências é fundamental para que ela possa atravessar a infância de uma forma mais leve e feliz.


Nenhum comentário:
Postar um comentário