Mentira e fantasia são constantes durante a infância, mas qual a diferença entre essas duas coisas? A mentira é o ato de enganar propositalmente, contar uma falsa história. Fantasiar é o ato de idealizar, imaginar. É importante diferenciar estas duas coisas pelo seguinte fato, ao desrespeitar a fase em que a criança precisa usar a imaginação (para depois entrar na realidade) prejudica-se o desenvolvimento e principalmente a estrutura psíquica que está sendo formada na criança. Quando o ato de fantasiar não é aceito, a criança não encontra espaço para transgredir a realidade e as regras, pois é tachada de mentirosa, esta criança pode crescer se reconhecendo como tal, e assim se depreciar, não se achando boa o suficiente. A mentira deve ser corrigida, sem sombra de dúvidas, mas a criança precisa ser compreendida, e os pais devem se atentar para não deixar este comportamento progredir.
*Imagem retirada do site:http://www.anaxandra.com/?p=821
A fantasia é importante pois é na vivência dela que a criança terá a possibilidade de experimentar situações diferentes, que ela levará para a vida adulta, terá a possibilidade de dar vazão a todo tipo de sentimentos e emoções e aprender a lidar com eles, poderá simbolizar para compreender situações difíceis para ela e através da repetição na brincadeira conseguir elaborar, ou seja 'resolver' internamente alguns conflitos. Por tudo isso é importante respeitar esta fase. Os pais podem entrar na fantasia da criança, para a partir daí mostrar a realidade, este é o melhor caminho, pois assim os pais respeitam a fantasia mas não embarcam nela.
Fica claro então que a fantasia acontece no mundo lúdico, o que a criança faz é tirar deste mundo soluções para o mundo real, situações em que está encrencada ou que não consegue achar uma resposta adequada. Ao mostrar para a criança a diferença da história que ela conta e do que é real os pais estarão propiciando um desenvolvimento saudável para os filhos. É preciso levar em consideração que a criança só terá maturidade cognitiva para compreender a gravidade de uma mentira por volta dos seis ou sete anos, portanto até esta idade é aceitável um nível maior de fantasia, mesmo assim em qualquer idade a mentira deve ser coibida.
O essencial é que os pais sempre mantenham intimidade e diálogo com os filhos para saber o motivo das mentiras, saber identificar se o filho está com o intuito de mentir ou se é uma fantasia que ele ainda não diferencia da realidade. E é também através do diálogo respeitoso, além do exemplo claro, que os pais conseguirão passar valores para os filhos de forma eficiente.
#Dica: Cuidado para não rotular uma criança de mentirosa antes mesmo que ela tenha condição de discernir o que é fantasia e o que é real.


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