Puberdade: Uma fase difícil?
Hoje começaremos a falar sobre uma fase que
todos invariavelmente reconhecem como senão difícil complexa, que é a puberdade.
As crianças pré-adolescentes estão
constantemente bombardeadas por sentimentos ambivalentes, são vorazes por ação
e esgotadas emocionalmente pelas cobranças, angústias e ansiedades do momento. Elas
sentem que tem que lidar com as demandas de tempo, compromissos e sucesso na
escola e nas relações sociais. Do ponto de vista cognitivo devem criar
estratégias inteligentes, usar funções executivas lógicas e sábias, saber
pensar, repensar, planejar e executar, além de lidar com a resolução de problemas.
Se a relação do púbere com os
familiares e educadores proporcionar vivência significativas e integradoras
permitindo o aprendizado de como lidar com frustrações, pensar, decidir e criar
produzirão repercussões na circuitação cerebral, que poderá como consequência,
modelar-se e remodelar-se, dentro de certos limites, respeitando a plasticidade
do sistema nervoso. Cypel, 2006, p.381).
Os pré-adolescentes conquistam nessa fase
maior autonomia nas relações diárias. No entanto precisam lidar com um corpo
que se transforma rapidamente, com a explosão de hormônios em seu organismo, afirmar-se
dentro de seu grupo, aproximar-se do sexo oposto e aprender a lidar com ele,
tudo isso permeado por medos, cobranças, criticas e julgamentos tanto de seus
pais, figuras de autoridade, como de seus pares.
Acompanhar esse percurso não é
tarefa fácil para os pais, familiares e educadores que ficam mobilizados por
sentimentos ambivalentes, confusos angustiantes como negação, raiva, ansiedades,
temores e culpa.
Muitas vezes os pais chegam a nós psicólogos, com uma sensação
de impotência e desamparo, sem saber o que fazer. O modo como cada um de nós vivenciou
essa fase em nossas vidas é fundamental para facilitar ou dificultar o acesso e
saber lidar com ela. Independente de como tenha sido, é importante manter nossa
função de adultos e estarmos capacitados para entender, acolher e conter as
crianças nesse período de vida tão conturbado, sem nos misturarmos conseguindo discriminarmos.
Frequentemente os pais devem dar suporte e limites que funcionam de modo
saudável e organizador. É conveniente estar junto com os filhos, conhecê-los, entendendo
e identificando sentimentos, dialogando sempre. Os filhos passarão por mais essa
fase e com certeza carregarão dentro de si a bagagem de afetos e ensinamentos
que os pais deixaram dentro de si.
Cypel S. O papel das funções executivas nos
transtornos da aprendizagem. In: Rotta NT, Ohlwiler L, Riesgo RS, org.
Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto
Alegre:ArtMed;2006. p.375-87.

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