sábado, 8 de agosto de 2015

Puberdade: Uma fase difícil?


Hoje começaremos a falar sobre uma fase que todos invariavelmente reconhecem como senão difícil complexa, que é a puberdade.  
As crianças pré-adolescentes estão constantemente bombardeadas por sentimentos ambivalentes, são vorazes por ação e esgotadas emocionalmente pelas cobranças, angústias e ansiedades do momento. Elas sentem que tem que lidar com as demandas de tempo, compromissos e sucesso na escola e nas relações sociais. Do ponto de vista cognitivo devem criar estratégias inteligentes, usar funções executivas lógicas e sábias, saber pensar, repensar, planejar e executar, além de lidar com a resolução de problemas.  

Se a relação do púbere com os familiares e educadores proporcionar vivência significativas e integradoras permitindo o aprendizado de como lidar com frustrações, pensar, decidir e criar produzirão repercussões na circuitação cerebral, que poderá como consequência, modelar-se e remodelar-se, dentro de certos limites, respeitando a plasticidade do sistema nervoso. Cypel, 2006, p.381).

 Os pré-adolescentes conquistam nessa fase maior autonomia nas relações diárias. No entanto precisam lidar com um corpo que se transforma rapidamente, com a explosão de hormônios em seu organismo, afirmar-se dentro de seu grupo, aproximar-se do sexo oposto e aprender a lidar com ele, tudo isso permeado por medos, cobranças, criticas e julgamentos tanto de seus pais, figuras de autoridade, como de seus pares.
Acompanhar esse percurso não é tarefa fácil para os pais, familiares e educadores que ficam mobilizados por sentimentos ambivalentes, confusos angustiantes como negação, raiva, ansiedades, temores e culpa. 

Muitas vezes os pais chegam a nós psicólogos, com uma sensação de impotência e desamparo, sem saber o que fazer. O modo como cada um de nós vivenciou essa fase em nossas vidas é fundamental para facilitar ou dificultar o acesso e saber lidar com ela. Independente de como tenha sido, é importante manter nossa função de adultos e estarmos capacitados para entender, acolher e conter as crianças nesse período de vida tão conturbado, sem nos misturarmos conseguindo discriminarmos. Frequentemente os pais devem dar suporte e limites que funcionam de modo saudável e organizador. É conveniente estar junto com os filhos, conhecê-los, entendendo e identificando sentimentos, dialogando sempre. Os filhos passarão por mais essa fase e com certeza carregarão dentro de si a bagagem de afetos e ensinamentos que os pais deixaram dentro de si.

Cypel S. O papel das funções executivas nos transtornos da aprendizagem. In: Rotta NT, Ohlwiler L, Riesgo RS, org. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre:ArtMed;2006. p.375-87.




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